Por que o Estado baiano ainda não realizou uma megaoperação no Complexo do Nordeste de Amaralina e nos bairros de Cosme de Farias, Lobato e Tancredo Neves — especialmente na localidade do Buracão?
Apuração do Informe Baiano revela que é justamente nessas quatro regiões que o Comando Vermelho (CV) mantém seu braço operacional em Salvador. Existem outras áreas sob influência? Claro. Mas é ali que o crime se organiza, dita regras e desafia o Estado todos os dias.
Em vez disso, o governo da Bahia insiste em ações como a chamada Operação Freedom, que mira alvos menores. São criminosos, sim, mas a maioria é de soldados rasos, meros executores dos chefões que seguem intocados. A operação de hoje prendeu um caminhão de “sacizeiros”, que, em breve, estarão de volta às ruas.
É o retrato de um sistema que prefere o espetáculo à efetividade. Não adianta mascarar a realidade nem fingir que o Estado está vencendo o terror. É preciso dar liberdade e respaldo às forças de segurança. Disposição é o que não falta aos policiais baianos. Mesmo sem apoio, enfrentam o risco todos os dias, planejam novas investidas e seguem em frente.
O policial baiano não leva desaforo para casa. Ele toma uma chuva de tiros e continua avançando. Ele não se acovarda. O que ainda sustenta a segurança pública da Bahia é a vocação — e o número de inscritos nos concursos da PM, sempre na casa dos 100 mil para poucas vagas, comprova isso. O que falta é gestão, comando e vontade política.
Enquanto isso, conforme fontes do IB, nomes conhecidos como ‘Buel’, ‘Surfista’, ‘Lambão’ e ‘Zoi de Gato’ seguem mandando e desmandando. Determinam homicídios, estupros, cobram pedágios de comerciantes, comandam esquemas de gatonet e aliciam menores — tudo de dentro das suas áreas de influência. Veja a pesquisa recente da AtlasIntel sobre a aprovação da megaoperação com 121 mortes no Rio de Janeiro: mais de 80% dos moradores de favela de todo país apoiaram. É o refém gritando, é o reflexo do sofrimento.
E o governador Jerônimo Rodrigues, em vez de olhar para dentro de casa, prefere atacar o governador Cláudio Castro, do Rio de Janeiro. Critica a operação que desarticulou o Comando Vermelho por lá e ainda se posiciona contra a proposta de classificar facções criminosas como grupos terroristas. Vivemos tempos difíceis.