O governo federal estuda realizar um empréstimo de até R$ 20 bilhões para socorrer os Correios, que enfrentam uma das maiores crises financeiras da história da estatal. A operação é articulada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e deve envolver bancos públicos e privados, com garantia do Tesouro Nacional.
De acordo com informações da Folha de S.Paulo, a proposta foi discutida em uma reunião realizada no dia 9 de outubro, com a presença dos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Esther Dweck (Gestão e Inovação), Frederico de Siqueira Filho (Comunicações), além de representantes do Tesouro Nacional, da PGFN (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional), do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.
O plano prevê que o aporte tenha contrapartidas e esteja atrelado à reestruturação da estatal, incluindo medidas de ajuste como programas de demissão voluntária, mudanças no plano de saúde dos funcionários e renegociação de dívidas acumuladas. Parte dos recursos seria destinada ao capital de giro e ao custeio de ações emergenciais.
Ainda não foi definido o formato final da operação, mas o governo quer atrair também instituições privadas, como BTG Pactual, Citibank e Banco ABC Brasil, que já são credores dos Correios desde o primeiro semestre de 2025.
A discussão sobre o socorro financeiro ganhou força após a troca no comando da empresa. O novo presidente, Emmanoel Schmidt Rondon, funcionário de carreira do Banco do Brasil, substituiu Fabiano Silva dos Santos e vem conduzindo as negociações para o plano de recuperação. Segundo o governo, a mudança trouxe mais capacidade técnica para avançar na reestruturação.
Os números reforçam a gravidade da situação: os Correios registraram prejuízo de R$ 4,4 bilhões no primeiro semestre de 2025, quase o dobro do déficit de R$ 2,6 bilhões em 2024, que já havia sido quatro vezes maior que o de 2023.
O objetivo do Palácio do Planalto é estabilizar as contas da estatal e garantir a continuidade de seus serviços essenciais, especialmente em regiões onde a empresa é a única responsável pela entrega de correspondências e encomendas.