O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), utilizou as redes sociais no último domingo (12) para anunciar que vai colocar em votação na próxima quinta-feira (16) o requerimento que pede a convocação de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Lula e vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi).
Em seu perfil no X (antigo Twitter), Viana garantiu que a CPMI não vai blindar ninguém. “Pau que dá em Chico também vai dar em Frei Chico”, escreveu.
“Essa CPMI não tem blindagem, não tem sobrenome forte, nem amizade poderosa. Quem roubou, vai ser investigado. Quem desviou, vai ser denunciado. E quem traiu o povo, vai ser preso”, defendeu o senador.
A publicação foi encarada como um recado político em meio ao avanço das investigações da Operação Sem Desconto, que investiga irregularidades no INSS. O Sindnapi, sindicato do qual Frei Chico é vice-presidente, é uma das entidades citadas no inquérito.
A decisão de votar o requerimento de convocação do irmão de Lula foi anunciada por Viana na última quinta-feira (9), mesmo dia em que o presidente do Sindnapi, Milton Baptista de Souza Filho, o Milton Cavalo, prestou depoimento à CPMI. No entanto, ele se recusou a responder à maioria das perguntas, após ser respaldado por um habeas corpus do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino.
“Diante do silêncio que foi colocado hoje sobre a participação do senhor vice-presidente do sindicato, pela quantidade de dinheiro que foi sacado na boca do caixa pelos membros do sindicato, pelo esquema que foi montado por conta do desvio do dinheiro que foi descontado indevidamente dos aposentados, eu entendo que é urgente que coloquemos em votação a convocação do chamado Frei Chico, irmão do presidente Lula”, afirmou Viana à imprensa.
O Sindnapi foi um dos alvos da nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada na última quinta-feira (9). Ao todo, foram cumpridos 66 mandados de busca e apreensão em oito estados e no Distrito Federal, incluindo a sede do sindicato e a casa de Milton Cavalo.
A investigação apura fraudes em descontos associativos, peculato, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa.
Apesar de ser dirigente do Sindnapi, Frei Chico não é alvo da operação nem figura entre os investigados pela PF ou pela Controladoria-Geral da União (CGU).